
O mercado ilegal de medicamentos e canetas para emagrecimento na fronteira entre Brasil e Paraguai pode ultrapassar R$ 2 bilhões em 2026, conforme projeção do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf). O levantamento também aponta que as autoridades brasileiras conseguem apreender apenas entre 5% e 10% dos produtos contrabandeados.
O Paraná figura entre as principais rotas de entrada desses itens no país, impulsionado pelos mais de 200 quilômetros de fronteira com o Paraguai e pelas três pontes internacionais localizadas na região Oeste do estado.
Em Foz do Iguaçu, um dos principais acessos ao país vizinho, a Receita Federal apreendeu mais de 64 mil medicamentos para emagrecimento entre janeiro e maio deste ano. O volume representa um salto de 700% em comparação com todo o ano de 2025, quando foram recolhidas cerca de 8 mil unidades.
🔍 O contrabando é caracterizado pela entrada ou saída clandestina de mercadorias proibidas ou com restrições legais no território nacional, desrespeitando normas sanitárias, aduaneiras ou de segurança. A pena prevista varia de dois a cinco anos de prisão.
De acordo com Luciano Barros, pesquisador e diretor do Idesf, as organizações criminosas passaram a direcionar investimentos para produtos de maior procura e alto valor no mercado ilegal. Nesse cenário, as canetas emagrecedoras se tornaram alvo prioritário das quadrilhas devido ao aumento da demanda no Brasil.
“As organizações criminosas acompanham de perto os produtos com maior potencial de lucro e rápida comercialização. Como já possuem uma estrutura consolidada para o contrabando, conseguem incluir novos itens com facilidade nesse mercado ilegal”, afirmou.
A entrada de medicamentos para emagrecimento vindos do Paraguai possui restrições impostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em decisão recente, a agência proibiu a importação e o uso da Tirzepatida das marcas Synedica e TG, apontadas pela Receita Federal como os principais alvos das apreensões.
Segundo o estudo, os medicamentos estão entre os itens mais rentáveis para o crime organizado. A margem de lucro do contrabando pode chegar a 415%, ficando atrás apenas do comércio ilegal de cigarros.
A diferença tributária entre Brasil e Paraguai é apontada como um dos principais estímulos para o avanço desse mercado clandestino. Enquanto os impostos sobre medicamentos no Paraguai giram em torno de 5%, no Brasil a carga tributária pode alcançar 20%.
Para o pesquisador, os dados revelam a dimensão do problema enfrentado pelo país.
Fonte: g1