
Na noite desta terça-feira (19), a Ypê orientou os consumidores a não utilizarem nem descartarem os produtos suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A empresa também reforçou que os clientes poderão solicitar o reembolso dos itens afetados.
Em nota, a fabricante informou que os consumidores que possuem os produtos atingidos pela medida devem armazená-los de forma adequada e aguardar novas orientações da Anvisa antes de qualquer descarte ou utilização.
Além disso, a Ypê confirmou que quem optar pela devolução poderá pedir o reembolso pelos canais oficiais de atendimento da empresa. O procedimento pode ser feito pela internet.
A determinação da Anvisa abrange todos os lotes de detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes com numeração final 1.
Entenda o caso
As apurações começaram após inspeções realizadas na fábrica da Ypê, localizada em Amparo, em parceria com órgãos de vigilância sanitária do estado de São Paulo.
De acordo com a Anvisa, foram encontradas irregularidades em etapas consideradas críticas do processo produtivo, como falhas nos sistemas de controle de qualidade, equipamentos com sinais de corrosão e armazenamento inadequado de resíduos.
A agência também informou ter identificado a bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca.
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, a bactéria é comum no ambiente e oferece baixo risco para a maioria das pessoas saudáveis. O maior cuidado deve ser tomado por grupos vulneráveis, como imunossuprimidos, pacientes em tratamento contra câncer, transplantados, pessoas com queimaduras, feridas ou dermatites, além de bebês e idosos fragilizados.
Nesses casos, o contato com mucosas, olhos ou lesões na pele pode favorecer infecções.
A recomendação geral é interromper imediatamente o uso dos produtos afetados. Pessoas que utilizaram os itens, mas não apresentaram sintomas, não precisam buscar atendimento médico apenas por conta da exposição.
Especialistas orientam atenção a sinais como irritações persistentes, secreções, febre e problemas oculares. Também recomendam substituir esponjas de pia usadas com os detergentes suspensos e, em caso de dúvida, relavar roupas íntimas, toalhas e peças de bebês com outro produto.
Mesmo com a suspensão de parte dos produtos, o caso segue em discussão entre a Ypê e a Anvisa.
A empresa informou ainda que pretende apresentar novos testes feitos por laboratórios independentes autorizados pela agência para avaliar os lotes distribuídos no mercado.