Um levantamento realizado pela Prefeitura de Apucarana traçou um novo panorama da população em situação de rua do município. Concluído neste ano, o Censo Municipal da População em Situação de Rua (Censo POP 2026) reuniu informações sobre o perfil, as vulnerabilidades e as trajetórias desse público e passou a servir de base para o planejamento das políticas públicas. Apucarana foi o terceiro município do Paraná a realizar um estudo desse tipo.
Com os dados consolidados, a Secretaria Municipal de Assistência Social passou a reorganizar estratégias de atendimento conforme as necessidades encontradas durante o levantamento. Entre as medidas adotadas estão o reforço do acompanhamento das pessoas atendidas e da elaboração do Plano de Acompanhamento Familiar (PAF), além da ampliação da concessão de passagens para deslocamentos intermunicipais e do aumento das vagas e da estrutura do Acolhimento de Inverno.
Ao todo, 123 pessoas participaram das entrevistas. Do público ouvido, cerca de 95% são homens e aproximadamente metade afirmou dormir diretamente nas ruas. Outra parcela relatou utilizar abrigos ou alternar entre o acolhimento institucional e a permanência em vias públicas.
No recorte racial, pessoas pardas e negras representam a maior parcela dos entrevistados, apontando para a necessidade de políticas que considerem as desigualdades sociais e raciais. Entre os principais fatores relacionados à situação de rua, a dependência química aparece com destaque, presente isoladamente ou associada a outras circunstâncias em mais de 40% dos casos.
Já os conflitos e a ruptura dos vínculos familiares aparecem como o segundo principal fator. Também foram identificadas situações envolvendo luto, desemprego, abandono, problemas de saúde e passagem pelo sistema prisional.
Para a secretária municipal de Assistência Social, Fabíola Carrero, os resultados ajudam a estruturar os serviços de acordo com a realidade encontrada em Apucarana.
“O estudo mostra que a situação de rua não tem uma causa única. A dependência química aparece com grande peso, mas também encontramos problemas de relacionamento familiar, luto, desemprego, abandono e questões de saúde como fatores que influenciaram na decisão de morar nas ruas. Isso exige acompanhamento individualizado e atuação integrada das políticas públicas”, explicou.
Acolhimento temporário para pessoas em trânsito
Como consequência dos resultados do censo, o Município ampliou as vagas e a estrutura do Acolhimento de Inverno e colocou em funcionamento um projeto-piloto voltado ao acolhimento emergencial temporário. O atendimento pode durar até três dias e foi pensado para pessoas que estão de passagem por Apucarana.
A iniciativa também conta com apoio e encaminhamento integrado da Guarda Civil Municipal (GCM) aos finais de semana. Dessa forma, a rede municipal amplia a capacidade de atendimento em situações que precisam de resposta imediata.
Segundo Alexandre Machado da Silva, diretor de Proteção Social Especial da Secretaria Municipal de Assistência Social, o levantamento também evidencia a necessidade de ações articuladas para atender diferentes níveis de vulnerabilidade.
“Mais de um terço das pessoas entrevistadas apresenta algum tipo de deficiência, seja física ou mental. É uma realidade que demanda atuação conjunta entre assistência social, saúde, reabilitação e acesso a benefícios socioassistenciais”, afirmou.
Como foi feita a pesquisa
As entrevistas foram realizadas nos dias 23 e 24 de março, tanto no Centro POP quanto durante abordagens nos territórios. O trabalho permitiu identificar não apenas as características do público, mas também diferentes trajetórias que contribuíram para a situação de rua.
A partir dessas informações, a Prefeitura passou a aperfeiçoar os encaminhamentos para os serviços públicos e a organizar ações que envolvem acolhimento emergencial, acompanhamento continuado, mobilidade e reinserção social.
Principais números do Censo POP 2026
- 123 pessoas entrevistadas;
- cerca de 95% são do sexo masculino;
- 46 pessoas (37%) apresentam algum tipo de deficiência;
- aproximadamente 50% dormem diretamente nas ruas;
- a dependência química aparece em mais de 40% dos casos como fator associado à situação de rua;
- a ruptura dos vínculos familiares é apontada como o segundo principal fator;
- também foram encontrados casos relacionados a desemprego, luto, abandono, problemas de saúde e egressos do sistema prisional;
- pessoas pardas e negras representam a maior parcela dos entrevistados.
Medidas adotadas pelo Município
- Acompanhamento: ampliação dos atendimentos e da elaboração do Plano de Acompanhamento Familiar (PAF);
- Passagens: aumento da concessão para deslocamentos intermunicipais;
- Acolhimento: expansão das vagas e da estrutura do Acolhimento de Inverno;
- Atendimento emergencial: implantação de projeto-piloto para acolhimento temporário de até três dias para pessoas em trânsito, com apoio da Guarda Civil Municipal aos finais de semana.